Cultura Digital: O hiper conteúdo

Eduardo Henrique Brandão

A professora Pollyana Ferrari, da PUC, apresentou na Unisantos, durante o Publicom (Encontro com Autores de Publicações Recentes em Comunicação), o livro Hipertexto e Hipermídia. A obra vem cercada de expectativa, porque a autora tem um dos títulos mais populares sobre o assunto, Jornalismo Digital.

O livro, como indica o título, analisa as relações entre profissionais de comunicação e os novos meios digitais de difusão de conteúdo. Organizado por Pollyana Ferrari, ele é um apanhado geral de discussões dos últimos quatro anos de pesquisadores da área. Para a autora, a produção jornalística está em uma nova era. “Hoje, vivemos o colaborativismo na forma de produção do jornalismo”, comenta.

“O Indesing [software de editoração eletrônica], por exemplo, tem recursos para funcionar em rede. O que você faz fica visível para toda a equipe, e eles colaboram no resultado final”, completa Urbano Nobre Nojosa, que escreveu um dos capítulos de Hipertexto e Hipermídia.Mas, afinal, qual será o papel do jornalismo no futuro? Os pesquisadores apostam nas novas mídias, como a Internet móvel. “Sempre que se for discutir jornalismo on-line, temos que esquecer este falso problema da Internet versus impresso”, analisa Nojosa.

Pollyana vê o jornalismo impresso em um terreno mais seletivo. “A Folha de S.Paulo imprime 300 mil exemplares por dia e já chegou a um milhão, mas mesmo assim é para um público seleto. Vamos caminhar para jornais custando cerca de R$ 15,00”.Essas análises são cada vez mais constantes. O periódico on-line Le Monde Diplomatique Brasil, acaba de lançar sua versão impressa, depois de oito anos na web, ao valor de R$ 8,90.Outro ponto abordado pelos professores foi a não-linearidade dos hipertextos. O usuário cria seu próprio caminho de leitura, aprofundando ou interpretando as informações de maneira pessoal e dinâmica. É nesse ponto que, na hipermídia, o jornalista deve ter mais critérios na análise das informações. Sobre usabilidade, os pesquisadores apontam para o avanço das tecnologias, e afirmam que em um futuro próximo não haverá mais sistema operacional. “A usabilidade é feita para respeitar um espaço físico da tela, como se fosse um quadro. Mas em breve isso não haverá mais. O Google foi o primeiro a perceber isso. Você acessa sua conta e pode fazer diversas ações que antes eram presas a um programa”, comenta Nojosa.Para Pollyana, a Web 2.0 deixou de ser uma utopia para se transformar em uma realidade imediata, porque o usuário tem elaborado o conteúdo, independentemente de quem estava produzindo antes. “No Orkut, no MSN, nos wikis, nos blogs, no YouTube, temos feito o que não se fazia antes. E quem deveria ter feito não fez. Coube ao usuário desenvolver esse conteúdo. As novas ferramentas vieram para dar vazão a esta necessidade”.

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4 Respostas to “Cultura Digital: O hiper conteúdo”

  1. José "Cecito" Barbosa Says:

    Essa qeustão da Web 2.0 é muito interessante, piis as novas tecnologias estão desvinculando a informação do jornalista em si. Cada um de nós pode se tornar num comunicador através de um blog, ou uma conta no orkut, enfim inúmeras formas de se fazer essa troca de informação, intuíto esse para o qualk foi criado a Rede.
    A única coisa que acho, é qie na questão do impresso não há a necessidade de se preocupar, ele passará a ser um grupo mais seleto, que prefere ler um bom jornal a moda antiga, e existem lugares, ainda, aonde a acessibilidade a rede não é tão fácil assim……

    Como você vai acessar a web num ônibus, todos terão acesso a lap tops??? em quanto tempo……….

    Essa é minha opinião, o charme do impresso não sucumbirá a liberdade e velocidade da WEB

    José Barbosa, o Lord

  2. Gabriela Says:

    “Vamos caminhar para jornais custando cerca de R$ 15,00.”
    Que barbaridade!

    Parabéns pela reportagem.

  3. carlos gustavo yoda Says:

    grande edu.. bela observação sobre nós mesmos. sabes que eu tenho uma visão extremamente azeda sobre a profissão jornalista. penso que primeiro deve ser repensado o fazer jornalístico, que é o que estamos tentando fazer a partir dessa oficina. depois iremos pensar a necessidade do profissional o jornalista. sonho contando os dias em que o altar da credibilidade de uma suposta objetividade venha de uma vez ao chão. no dia em que isso acontecer, e está a acontecer, cada pessoa será capaz de pegar esses caquinhos e colocá-los na sacolinha de supermercado reciclado, processá-las com um pouquinho de suas histórias e inventarem a uma parada alucinógena de um novo negócio, que farão as pessoas entenderem o mundo, para além daquela realidade baseada nas relações econômicas de mercado.. mas é sempre bom lembrar que isso jamais será melhor que noite de sábado de samba de conversa de noel com cartola e beijo de mulher amada.. abreijo, yoda..

  4. Guilherme Varella Says:

    Esse tal de digital. Legal a matéria e a matéria do texto. Essa onda da cultura digital, dentre os novos discursos que se propagam sobre cultura (diversidade, multiculturalismo, empoderamento, protagonismo, etc), talvez seja o mais concreto e palpável, mesmo com o paradoxo de ser virtual. E assim o é, pelo sentido de pertencimento que traz, oriundo da interação real e ilimitada nos processos. Acho que o mais interessante da matéria – e talvez aqui puxar o gancho para os movimentos que se utilizam da cultura digital como ferramenta (citados no final) -, o mais interessante seja discutir a dinâmica da “multidão”,como conceito e fenômeno, e a constituição do comum, elementos da obra de Toni Negri, Giuseppe Cocco, Bárbara Szaniecki, e recorrentes no discurso de Gilberto Gil. Acho que a Universidade Nômade – uma rede de intelectuais e professores universitários que discute e produz coisas muito boas relativas à cultura digital – seja interessante para rechear a matéria. Qualquer coisa, Yoda, me dá um toque que os coloco em contato.

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