Consenso Fabricado: A Geração Rebelde

Por Diana Gonzalez 

 

 

O sucesso desenfreado da novela e Banda Rebelde, RBD, originou a análise do impacto deste produto midiático na sociedade neste Intercom.

“Tudo neste grupo é produzido para vender”, diz a comunicadora Gisela Castro da ESPM. Prova disso são as diversas formas do grupo inventar possibilidades de artigos para consumo. Como se já não bastasse a novela com todas as bugigangas possíveis disponíveis no mercado, eles criaram também a banda, RBD, originando mais um produto a ser consumido.

Outro fator estudado pelos comunicadores que analisam o “efeito RBD” é essa tendência atual da grande mídia com as demandas de BBB, FAMA e novelas em que se destacam mais a vida pessoal do artista do que a própria trama, para transformar tudo num grande mercado rentável. E daí surgem os “seres grifes”.

A banda RBD é formada pelos atores da novela, que mesmo durante os shows, continuam interpretando os personagens. “Não se sabe se o nome é do personagem ou do ator, eles simulam namoros, poses. Não dá para saber onde termina a novela e onde começa o real”, diz Castro. Em Rebelde, tudo é estrategicamente pensado para abduzir a mente do público deste grupo.

E como ficam os jovens em meio a essa pressão capitalista de consumo? Eles consomem! É o que retrata a pesquisa da comunicadora Fernanda Budag, realizada com jovens de 9 a 15 anos em duas escolas de São Paulo. Os produtos são consumidos, no entanto os artigos comprados diferem de acordo com a classe social do aluno. Nas escolas pagas, o consumo de DVDs e CDs aparecem em primeiro lugar, enquanto nas escolas públicas os produtos mais comprados são as figurinhas e pôsteres.

As discrepâncias vão também para o campo da identificação. Enquanto Miguel (personagem bolsista no drama) aparece com 41% de preferência entre os alunos das escolas públicas, contra 20% dos de escolas particulares, Mia, que é a personagem rica e popular, aparece como uma das preferidas dos estudantes das escolas pagas. “Isso revela uma identificação com o personagem, já que Miguel é pobre e bolsista ”, diz Budag.

A pesquisa aponta que 70% dos jovens dizem que os pais e professores têm uma visão negativa sobre os rebeldes. Mas, que mesmo os pais sendo contra eles, acabam assistindo o programa e comprando os desejos fabricados das crianças. É que eles são Rebeldes! (sic)

Para Isaira Oliveira, que prepara tese sobre relações entre artistas, fãs e casas de espetáculos, essa insatisfação permanente dos admiradores por adquirirem cada vez mais produtos relacionados aos seus ídolos, irá gerar futuros “neuróticos”, pois, a possibilidade de compra não atende a frenética demanda de vendas.

Paira no ar do Intercom, a questão Brasil e Argentina e em meio a toda essa latinidade urge a pergunta: É esta a integração cultural latino americana? É essa a troca de informações culturais que continuares a produzir? É este tipo de programa que continuaremos comprando de “nuestros hermanos”? Pena, tanto Brasil como Argentina e México são riquíssimos em expressões e semelhanças de suas realidades esquecidas. Contudo, o que compramos destes países e enfiamos cérebro adentro dos nossos jovens é essa anti-rebeldia Rebelde. E até quando? Até o cérebro juvenil ser corroído com tanta superficialidade industrial?

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2 Respostas to “Consenso Fabricado: A Geração Rebelde”

  1. carlos gustavo yoda Says:

    Excelente.. bela sacada sobre a integração latinoamericana para um fortalecimento do pensamento sobre conteúdo produzido nestes países. Vale com certeza aprofundar o debate sobre as políticas de financiamento da produção audiovisual e quais são as políticas de comunicação de massa dos mesmos. Até onde eu sei, as concentrações do poder do mercado e das cadeias produtivas da indústria cultural são tão assustadoras como no Brasil. Vale um papo com o povo do intervozes, João Brant ainda está pelo congresso, se não conseguir falar com ele, lhe passo o telefone dele e e-mail. Essa discussão sobre como funciona a economia da cultura e a sua produção de bens simbólicos infinita são essenciais para a formulação de políticas públicas democratizantes, sempre suspeitando do discurso de desenvolvimento atrelado a esse debate.. vale seguir a pauta.. acrescentaria aí alguns conceitos de algum teórico para reforçar, mesmo que seja repetição (resgatar noam Chomsky e a fabricação dos consensos, por exemplo), e avançar sobre o debate da publicidade infantil. Na Suécia é proibido propagandas direcionadas a crianças, seja de cereal de tigre, brinquedo que rodopia ou perfume de banheiro que só tem na casa do Pedrinho. Mas tirando a Suécia como padrão de comparação, tem uma galera ativa nisso, a campanha pela ética na tv e o ministério público federal, pelos direitos humanos, está em cima disso. Além do debate sobre classificação indicativa que poderia ser lincado. Alguém poderia se juntar com você nessa e trabalhar retrancas dessa pauta.. abreijos, yoda..

  2. Guilherme Varella Says:

    Concordo com o Yoda. Achei a reportagem muito boa no que diz respeito à descrição das pesquisas, ao levantamento dos resultados, estatísticas e cruzamento de dados. Mas senti falta de embasamento conceitual para as informações. Algo que fundamente o fenômeno exposto. Talvez conversas separadas com esses mesmos palestrantes, indagando-lhes referências intelectuais ou campos de estudo para ele. A reportagem já deixa ganchos legais a serem puxados. Porém, algumas aspas que teorizassem mais sobre os dados levantados, amarrariam melhor a matéria e abririam mais mãos de trânsito. Sobre estas: a diferenciação entre bem econômico, bem simbólico e bem cultural; a relação historicamente guardada entre os monopólios de comunicação latino-americanos, que catalisa essa massificação; a questão da veiculação dos tais produtos culturais; e o debate sobre o papel cultural da publicidade, que mexe nas raízes míticas das pessoas, interferindo decisivamente no seu repertório simbólico e no seu entendimento de cultura (aqui, um cara legal para conversar é o escritor e cineasta André Martinez). Ufa! De pano pra manga, você não pode reclamar…

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