Brasil-Argentina: Colóquio do não-falar

Por Thâmara Malfatti 

Mesa posta, águas dispostas, iniciam os discursos ao som agudo e persistente da microfonia da aparelhagem mal regulada. Mas essa hora já estava tudo diminuído perto das gafes Brasil-Argentina, ou brasil-argentina (para ficar esteticamente mais bonito)? Enfim. No momento, o Word me corrige traçando sua linha verde e apontando-me um Brasil com um bê maior. Ok. Vamos escutar, estamos todos aguardando desde cedo. Passada mais de meia hora de explicações e apresentações, onde a co-hermana argentina acabara seus 15 min rodeados de “o quês?” e “hãns?”, pensei – ora, eu estou compreendendo, tomei meu café anti-divagações e me interesso pelo assunto-estranho, são frases e assuntos jogados, sem maior relevância. Pensei novamente que poderia estar alienada, talvez precipitada, pensei. Até reparar que um dos integrantes da mesa, composta de acadêmicos bem preparados, estava pestanejando, pescando mesmo. Gráficos, estatísticas, e mais algumas pesquisas, tudo mostrado coloridamente no telão. Taxas, números de pessoas que fizeram algum tipo de trabalho sobre (ou com ligação) o tema Brasil-Argentina nas universidades brasileiras, tudo colorido. Alguns pontos apresentados sobre profissionais da comunicação na educação, como… “precisamos de mais profissionais”. Poxa, olhei no relógio, faltava meia hora pra acabar o colóquio, queria ter ficado pra escutar o último senhor a falar, aquele, que pestanejava, talvez ele tenha mudado tudo, talvez tenha dormido, queria ter ficado, mas não consegui. Fui embora pensando que nada teria para tirar de um encontro desses, mas sempre tem, as gafes bem aproveitadas pela Diana servem de exemplo, e eu fico com esse não-falar, e a questão de um colóquio sobre países “irmãos” ser tão estranho, tão superficial, que interesse há em apresentar tantos gráficos em um telão, onde existe tanto pra falar, tanto pra selar mãos?

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3 Respostas to “Brasil-Argentina: Colóquio do não-falar”

  1. carlos gustavo yoda Says:

    Gostei da crônica.. o texto está bom. Mas falta conteúdo. Não sei se por causa do colóquio, ou por falta. Falar demais do desinteressante pode se tornar desinteressante.. Mas se o blog estivesse rolando com força total de divulgação e visitação, é o tipo de coisa que não pode ser levada para casa, e pensar dois dias para depois mandar o texto. A velocidade da produção não deve ser o centro da discussão, mas deveríamos ter melhorado nossa agilidade de trabalho. O trabalho de pauta do blog faltou demais. Acho que eu deveria ter colaborado mais nesse sentido. E podemos recuperar isso na pauta da grande reportagem. No fundo, acho que não reconhecemos ainda a nossa melhor maneira de trabalho. Mas o momento já é de pensar a grande reportagem que cada um terá de fazer durante essa semana.. abreijos, yoda..

  2. Fernando Tobgyal Says:

    Concordo com o Yoda quando reclama do não organizar demais, e escrever demais. Deixar o blog assim. Voltando ao assunto.

    Penso que o processo evolutivo, intervirá no fazer do passado, portanto o acabará substituindo por um fazer futuro. O fato é que o apego a manifestações “tradicionais” do povo pode levar a um engessamento que não será saudável a ninguém.

    Percebo que os considerados produtos turísticos estão por demais embaçados neste interior paulista. O sertão é árido, e cabe a cada um de nós aguar um pouco para ver brotar novas manifestações, mesmo que sejam cópias de algum outro lugar.

  3. Guilherme Varella Says:

    O gosto pela crônica me faz acreditar ainda mais que algumas coisas não poderiam ser ditas ou relatadas se não através dela. É o caso. E o caso de voltar àquela discussão do conteúdo-forma, que fazíamos antes. Acho que a Thâmara sintetizou na forma do texto, no tamanho, nas palavras escolhidas e até no medido descaso, o que aconteceu realmente na mesa: nada. Para mim, a falta de conteúdo do texto foi fidedigna com a falta de conteúdo desse encontro entre os hermanos. Não fosse a crônica, era só somar com a história da bandeira errada, do “b” minúsculo e do cara pescando, um chimarrão, e teríamos um quadrinho do Laerte. Para mim, o que a crônica mostrou foi um requintado jantar chamado pelo pai, para que os dois irmãos, que não se conversam, se sentem à mesa. Ambos muito bem-vestidos e adestrados ao uso dos diferentes talheres. Mas pela situação incômoda, nenhum dos dois tocou na comida. Talvez churrasco e cerveja coubessem melhor.

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