Commons: Quebra de monopólios e o retorno da cultura hacker

setembro 4, 2007

O Intercom 2007, sediado na cidade histórica de Santos, no litoral sul do Estado de São Paulo, teve momentos peculiares, oscilou como todo grande evento em bons e maus momentos. A “gafe” trazida a público pela repórter Diana Gonzales, uma troca de bandeiras, poderia estremecer a relação com nossos hermanos argentinos, contudo os pontos altos, e o bem mais importante, que é a discussão intelectual em busca do aprimoramento da comunicação, ofuscaram quaisquer erros de organização do evento. Seguindo essa linha de raciocínio, pode-se destacar um advento que roubou a cena neste Intercom. A Internet.

Tão simplória, de fácil acesso, encontrada em muitos lares, lan houses e por iniciativas gorvenamentais ou não, em muitas, embora esse número não seja satisfatório, escolas públicas e em toda a rede de ensino privada, a internet mereceu um espaço singular para a sua discussão.  O assunto giram e torno de portais de relacionamento como o Orkut, o Messenger, a linguagem de internet que ocupa cada vez mais espaço no cotidiano, entretanto a questão é muito mais ampla. Nos remete a um antigo dogma, que na verdade é muito mais atual do que a Internet, a questão dos monopólios.

Segundo o palestrante, doutor em Ciências Políticas, e professor da pós-graduação da Faculdade Cásper Líbero,  Sérgio Amadeu, militante assumido do movimento pró softwares livres, a guerra pela monopolização nos formatos de documentos travada pela Microsoft é totalmente contrária ao sentido de Commons, o comum, finalidade para a qual a Rede foi criada, contrariando ainda a denominada cultura Hacker.  A cultura Hacker nada mais é do que o colaborativismo, a livre troca de informações através da criação dos protocolos TCP/IP.

Entretanto, a obsessão pelo lucro da Microsoft levou-a a criar um formato no qual pretende transformar no padrão mundial, o OpenXml. Militantes contra esse monopólio defendem a utilização do ODF, Open Document Format, que possibilitaria sua utilização em qualquer plataforma de gerenciamento. A França já se pronunciou contrária formalmente junto a ISO, contudo a Suécia foi favorável e a Austrália se absteve de voto. Junto à ABNT (Associação Brasil de Normas Tecnicas), a Microsoft sofreu uma derrota, com a negação do formato pela China. Nesse caso, se mais algum país se posicinar contrário à Microsoft, poderá deixar de arrecadar uma grande fatia de sua absurda lucratividade anual.  

O Saldo dessas adesões é positivo, e acena para uma esperança no retorno da cultura de livre troca de informação, sem os monopólios do Capital Privado. Existem muitas questões a serem discutidas, além de muitas batalhas a serem travadas. Em entrevista exclusiva à Oficina Itinerante do 100canais, Serigo Amadeu comentou, com um pouco de espanto, porém feliz pelo espaço aberto no Intercom – Santos – 2007 para estas questões. De acordo com ele, as edições anteriores não tinham esse tipo de discussão, e curiosamente neste evento, ao mesmo tempo em que discutíamos os moldes atuais, outra sala se dedicava ao pensamento dessa mesma corrente.

Assista à entrevista em vídeo no Youtube – http://br.youtube.com/watch?v=9ftnncArfRg

Cultura Digital: O hiper conteúdo

setembro 4, 2007

Eduardo Henrique Brandão

A professora Pollyana Ferrari, da PUC, apresentou na Unisantos, durante o Publicom (Encontro com Autores de Publicações Recentes em Comunicação), o livro Hipertexto e Hipermídia. A obra vem cercada de expectativa, porque a autora tem um dos títulos mais populares sobre o assunto, Jornalismo Digital.

O livro, como indica o título, analisa as relações entre profissionais de comunicação e os novos meios digitais de difusão de conteúdo. Organizado por Pollyana Ferrari, ele é um apanhado geral de discussões dos últimos quatro anos de pesquisadores da área. Para a autora, a produção jornalística está em uma nova era. “Hoje, vivemos o colaborativismo na forma de produção do jornalismo”, comenta.

“O Indesing [software de editoração eletrônica], por exemplo, tem recursos para funcionar em rede. O que você faz fica visível para toda a equipe, e eles colaboram no resultado final”, completa Urbano Nobre Nojosa, que escreveu um dos capítulos de Hipertexto e Hipermídia.Mas, afinal, qual será o papel do jornalismo no futuro? Os pesquisadores apostam nas novas mídias, como a Internet móvel. “Sempre que se for discutir jornalismo on-line, temos que esquecer este falso problema da Internet versus impresso”, analisa Nojosa.

Pollyana vê o jornalismo impresso em um terreno mais seletivo. “A Folha de S.Paulo imprime 300 mil exemplares por dia e já chegou a um milhão, mas mesmo assim é para um público seleto. Vamos caminhar para jornais custando cerca de R$ 15,00”.Essas análises são cada vez mais constantes. O periódico on-line Le Monde Diplomatique Brasil, acaba de lançar sua versão impressa, depois de oito anos na web, ao valor de R$ 8,90.Outro ponto abordado pelos professores foi a não-linearidade dos hipertextos. O usuário cria seu próprio caminho de leitura, aprofundando ou interpretando as informações de maneira pessoal e dinâmica. É nesse ponto que, na hipermídia, o jornalista deve ter mais critérios na análise das informações. Sobre usabilidade, os pesquisadores apontam para o avanço das tecnologias, e afirmam que em um futuro próximo não haverá mais sistema operacional. “A usabilidade é feita para respeitar um espaço físico da tela, como se fosse um quadro. Mas em breve isso não haverá mais. O Google foi o primeiro a perceber isso. Você acessa sua conta e pode fazer diversas ações que antes eram presas a um programa”, comenta Nojosa.Para Pollyana, a Web 2.0 deixou de ser uma utopia para se transformar em uma realidade imediata, porque o usuário tem elaborado o conteúdo, independentemente de quem estava produzindo antes. “No Orkut, no MSN, nos wikis, nos blogs, no YouTube, temos feito o que não se fazia antes. E quem deveria ter feito não fez. Coube ao usuário desenvolver esse conteúdo. As novas ferramentas vieram para dar vazão a esta necessidade”.

Consenso Fabricado: A Geração Rebelde

setembro 2, 2007

Por Diana Gonzalez 

 

 

O sucesso desenfreado da novela e Banda Rebelde, RBD, originou a análise do impacto deste produto midiático na sociedade neste Intercom.

“Tudo neste grupo é produzido para vender”, diz a comunicadora Gisela Castro da ESPM. Prova disso são as diversas formas do grupo inventar possibilidades de artigos para consumo. Como se já não bastasse a novela com todas as bugigangas possíveis disponíveis no mercado, eles criaram também a banda, RBD, originando mais um produto a ser consumido.

Outro fator estudado pelos comunicadores que analisam o “efeito RBD” é essa tendência atual da grande mídia com as demandas de BBB, FAMA e novelas em que se destacam mais a vida pessoal do artista do que a própria trama, para transformar tudo num grande mercado rentável. E daí surgem os “seres grifes”.

A banda RBD é formada pelos atores da novela, que mesmo durante os shows, continuam interpretando os personagens. “Não se sabe se o nome é do personagem ou do ator, eles simulam namoros, poses. Não dá para saber onde termina a novela e onde começa o real”, diz Castro. Em Rebelde, tudo é estrategicamente pensado para abduzir a mente do público deste grupo.

E como ficam os jovens em meio a essa pressão capitalista de consumo? Eles consomem! É o que retrata a pesquisa da comunicadora Fernanda Budag, realizada com jovens de 9 a 15 anos em duas escolas de São Paulo. Os produtos são consumidos, no entanto os artigos comprados diferem de acordo com a classe social do aluno. Nas escolas pagas, o consumo de DVDs e CDs aparecem em primeiro lugar, enquanto nas escolas públicas os produtos mais comprados são as figurinhas e pôsteres.

As discrepâncias vão também para o campo da identificação. Enquanto Miguel (personagem bolsista no drama) aparece com 41% de preferência entre os alunos das escolas públicas, contra 20% dos de escolas particulares, Mia, que é a personagem rica e popular, aparece como uma das preferidas dos estudantes das escolas pagas. “Isso revela uma identificação com o personagem, já que Miguel é pobre e bolsista ”, diz Budag.

A pesquisa aponta que 70% dos jovens dizem que os pais e professores têm uma visão negativa sobre os rebeldes. Mas, que mesmo os pais sendo contra eles, acabam assistindo o programa e comprando os desejos fabricados das crianças. É que eles são Rebeldes! (sic)

Para Isaira Oliveira, que prepara tese sobre relações entre artistas, fãs e casas de espetáculos, essa insatisfação permanente dos admiradores por adquirirem cada vez mais produtos relacionados aos seus ídolos, irá gerar futuros “neuróticos”, pois, a possibilidade de compra não atende a frenética demanda de vendas.

Paira no ar do Intercom, a questão Brasil e Argentina e em meio a toda essa latinidade urge a pergunta: É esta a integração cultural latino americana? É essa a troca de informações culturais que continuares a produzir? É este tipo de programa que continuaremos comprando de “nuestros hermanos”? Pena, tanto Brasil como Argentina e México são riquíssimos em expressões e semelhanças de suas realidades esquecidas. Contudo, o que compramos destes países e enfiamos cérebro adentro dos nossos jovens é essa anti-rebeldia Rebelde. E até quando? Até o cérebro juvenil ser corroído com tanta superficialidade industrial?

Brasil-Argentina: Colóquio do não-falar

setembro 2, 2007

Por Thâmara Malfatti 

Mesa posta, águas dispostas, iniciam os discursos ao som agudo e persistente da microfonia da aparelhagem mal regulada. Mas essa hora já estava tudo diminuído perto das gafes Brasil-Argentina, ou brasil-argentina (para ficar esteticamente mais bonito)? Enfim. No momento, o Word me corrige traçando sua linha verde e apontando-me um Brasil com um bê maior. Ok. Vamos escutar, estamos todos aguardando desde cedo. Passada mais de meia hora de explicações e apresentações, onde a co-hermana argentina acabara seus 15 min rodeados de “o quês?” e “hãns?”, pensei – ora, eu estou compreendendo, tomei meu café anti-divagações e me interesso pelo assunto-estranho, são frases e assuntos jogados, sem maior relevância. Pensei novamente que poderia estar alienada, talvez precipitada, pensei. Até reparar que um dos integrantes da mesa, composta de acadêmicos bem preparados, estava pestanejando, pescando mesmo. Gráficos, estatísticas, e mais algumas pesquisas, tudo mostrado coloridamente no telão. Taxas, números de pessoas que fizeram algum tipo de trabalho sobre (ou com ligação) o tema Brasil-Argentina nas universidades brasileiras, tudo colorido. Alguns pontos apresentados sobre profissionais da comunicação na educação, como… “precisamos de mais profissionais”. Poxa, olhei no relógio, faltava meia hora pra acabar o colóquio, queria ter ficado pra escutar o último senhor a falar, aquele, que pestanejava, talvez ele tenha mudado tudo, talvez tenha dormido, queria ter ficado, mas não consegui. Fui embora pensando que nada teria para tirar de um encontro desses, mas sempre tem, as gafes bem aproveitadas pela Diana servem de exemplo, e eu fico com esse não-falar, e a questão de um colóquio sobre países “irmãos” ser tão estranho, tão superficial, que interesse há em apresentar tantos gráficos em um telão, onde existe tanto pra falar, tanto pra selar mãos?

Diversidade Cultural: A globalização e as culturais locais

setembro 2, 2007

Por Aline Monteiro

         Quando uma estudante disse que bumba-meu-boi e boi-bumbá não eram a mesma coisa, o tema da oficina sobre globalização, que aconteceu na manhã de quinta-feira (dia 30) na Unisanta, se tornou a preservação das culturas locais. Por mais que o coordenador, Luiz Felipe Ferreira Stevanim (UFJF), mostrasse preocupação em trazer a atenção de todos aos movimentos contrários à globalização, os participantes, vindos do Sul, Centro-Oeste e Norte do País, passaram a debater o papel do jornalista e da mídia no tratamento dado às culturas locais com o processo de globalização.

Muitas dúvidas neste aspecto foram lançadas, já que nem mesmo os estudantes, que defendiam com unhas e dentes suas culturas regionais, sabiam ao certo se o correto seria tentar preservar as raízes culturais, ou deixá-las se misturar ao cenário global e tecnológico atual.

Para Stevanim, evitar que a cultura global se misture às locais não evita que elas façam parte da globalização, já que as características regionais do lugar passam a ser vistas do ponto de vista turístico e, se tornam um produto global. Ele acredita que as influências na cultura são importantes para sua modificação natural. “Não vejo a tecnologia como uma contrariedade, ela ajuda na transformação dos hábitos”.

Marcos Lara (PUC-SP), que participou da oficina, acredita que impedir uma cultura de interagir com as demais e se modificar vai contra a globalização. “Essa idéia de exclusão, mesmo que para preservar, não cabe no processo de globalização, onde a comunicação está presente em tudo”.     Depois de falar sobre a normalidade de ver os índios do Mato Grosso do Sul andando em carros importados e de uma suposta decisão da produção do Faustão de impedir que Gaúcho da Fronteira, representante tradicional da música dos pampas, se apresentasse em seu programa usando bombacha, a oficina transcorreu sem chegar a grandes soluções sobre o assunto. As mesmas incertezas que rondam o processo de globalização fizeram com que a oficina terminasse apenas alertando os jornalistas a agir com bom senso e ética ao tratar das culturas locais em suas reportagens.

Culturas Populares: As raízes sem frescuras do Brasil

setembro 1, 2007

Por Wellington Carbone

Uma verdadeira viagem às raízes da cultura nordestina. Assim pôde ser definida a apresentação do grupo “Sem Fantim”, que aconteceu no bloco E da Unisanta, na manhã deste sábado (1º de setembro). O grupo tem a proposta de resgatar a música daquela região. Tambor de alfaia, corneta, tambor. Todos estes instrumentos – somados a outros 11, também típicos do Nordeste! – foram tocados por sete instrumentistas, que, com muita alegria, trouxeram o sabor do maracatu, cocos e ciranda às pessoas que passavam pelo bloco.

“Nossa idéia é reviver aquela coisa bonita, mas perdida, que eram as cantigas de roda, as cirandas. Um povo sem história cultural é um povo sem identidade”, traduziu o cantor, carregado do bom e legítimo sotaque nordestino, Amir Pires.

Ele, natural de Recife, é radicado há 36 anos em Santos (e, repito, não perdeu o sotaque!) e já entoava os ritmos em outro bairro da cidade, a Zona Noroeste. “Participei de um projeto com crianças em uma entidade assistencial e levei a música”, contou.

“A idéia é ótima”, endossou o professor de artes da instituição, Gilson de Mello Barros, que ajudou os músicos a pôr a proposta em prática.

E parece que foi muito bem posta à prova. Há apenas dois meses o grupo se reuniu e fez os ensaios, e, nesta manhã, fez a primeira apresentação. Sou músico, e parecia que o grupo tocava junto há anos. Idéia bem recebida pelas pessoas.

A estudante da Puc – Campinas Juliana Cristina Almeida apenas passava pelo bloco e ia sair pela Rua Oswaldo Cruz para ir a outro bloco, mas, ao se deparar com as fortes toadas nordestinas, parou. Ali mesmo, em um banquinho de madeira, sentou e começou a bater o pé, seguindo o ritmo do maracatu que também já contagiava os funcionários da Universidade.

“Não dá pra resistir mesmo, tem que curtir e bater o pé sem frescura”, musicou.  Juliana, sem querer, acabava de traduzir para o paulistanês o que quer dizer o nome do grupo: sem fantim, no dialeto nordestino, significa sem frescura, sem nhénhénhém, ou, como diria meu avô, sem nove horas.

o jornalismo e a pauta esquecida da cultura

agosto 31, 2007

por Carlos Gustavo Yoda

caros amigos..

já é mais de sete horas. o sol ameaça dia bonito e, finalmente, blog altcom. mas que raio é isso? é o porto multimídia de ensaios sobre um fazer jornalístico que compreenda a cultura como argamassa das colunas que sustentam a sociedade. o blog altcom – jornalismo cultural independente – está sendo formulado dentro da I oficina itinerante de jornalismo cultural. a iniciativa, que pretende experimentar as vivências de outros jornalismos possíveis, é uma realização do instituto pensarte, coordenada pelo 100canais – núcleo editorial de jornalismo cultural independente, e cooperada entre aline monteiro, andré luiz azenha, diana gonzalez, eduardo henrique brandão, josé barbosa, julio ibelli, marcia costa, rafael minero, thâmara malfatti, wellington carbone e bruna leitte.. estou postando por aqui um vídeo experimental que a bruna filmou e o minero editou sobre a aula de lançamento da oficina, com o conteúdo da palestra “o jornalismo e a pauta esquecida da cultura”, por eduardo carvalho, coordenador do 100canais e ex-editor de arte & cultura da agência carta maior.. colabore também com nossa experiência comentando os informes do blog e as reportagens em www.culturaemercado.com.br.. agora apaga a luz que eu quero dormir..

boas leituras a todos!

Jornalismo Literário: O conteúdo precede a forma

agosto 31, 2007

Por Wellington Carbone

 

Desmistificar os preconceitos que existem em relação ao jornalismo literário. Fugir de temas comumente inerentes ao segmento que façam com que este seja mal visto, mal aproveitado ou mal compreendido. Tendo em vista a idéia de elucidar os estudantes que compareceram à palestra sobre o tema, o jornalista e escritor Sérgio Villas Boas esteve na Unisanta neste dia 30, e discorreu sobre o gênero sem regras.

“Não tem que ter textos grandes, não tem que ser refém desta, ou de qualquer outra regra que lhe digam”, exclamou aos estudantes de todo o país que lotaram as dependências do Consistório. Para construir textos que traduzem história – e, o mais importante, contexto –, o jornalista defendeu que a pesquisa é a chave mestra desta forma de jornalismo. ”O principal aspecto da tônica literária é a fundamentação de textos. Sem isto, os textos podem ser até ‘bonitinhos’, mas não terão conteúdo”.

A menção foi feita às novas publicações como a Piauí, que, de acordo com palavras dele, esbanjam forma, mas se perdem em conteúdo. “Tudo hoje em dia é muito plástico e há preocupação excessiva com a forma, que é importante, mas não como o conteúdo”.

 

Enfim, os textos têm que ter embasamento. Como conseguir isso? Há de se demonstrar também erudição, repertório e outros aparatos que traduzem a veia que Truman Capote, Fernando Morais, Ruy Castro e tantos outros construíram. “No caso deles, o que houve é mais do que um aprofundamento do tema. Aconteceu envolvimento total, mas sem comprometer o conteúdo ou deturpar algo”, analisou.

Porém, há raras exceções. Um exemplo é a de jornalistas como Gay Talese, que escreveram biografias sem sequer ter conhecido o protagonista da história. E o mais impressionante: fizeram isso por opção. “O caso de Talese, ao escrever a obra sobre Frank Sinatra, é absolutamente antológico, algo raríssimo. E ele pôde ter conhecido o autor, mas escolheu não fazer isso”, avaliou.

Exemplificou também outras formas de escrever, ou de contar histórias. Como a contada pelos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, no escândalo Watergate, que culminou com a renúncia do então presidente norte-americano Richard Nixon, nos anos 70. Segundo o jornalista, um verdadeiro making off.

“Foi uma história otimamente bem contada, onde todos sabem qual será o desfecho dela. Só que os porquês têm que ser entendidos, extendidos e, o mais importante, explicados. E foi o que aconteceu”, ressaltou.

Porém, use a forma com moderação. A história tem que ser esmiuçada em todos os porquês mais importantes com várias fontes consultadas. “Não devem ser feitas panacéias sobre o uso desta forma de escrever! As situações têm que ser muito bem escolhidas!”, alertou o jornalista.

Entretanto – e entre tantas as formas de se escrever –, a realidade é outra. O gênero carece de nova safra de jornalistas literários. E a causa disso? Vem da estrutura da educação, conforme Villas Boas. “O país carece de bons jornalistas deste gênero porque as universidades sequer têm bons professores habilitados para isso. O resultado desse déficit são os alunos”, finalizou.

Para as estudantes da Puc – Campinas, Natália Lago, 21, e Regiane Almeida, 22, a palestra foi proveitosa: “Nosso TCC é sobre jornalismo literário e conseguimos acrescentar ainda mais elementos para nosso trabalho”, disse.

Gafes do Intercom: Rixa ou pura desorganização?

agosto 31, 2007

por Diana Gonzalez

Ora, ora, o nosso querido congresso mal começou e já nos deparamos com as primeiras gafes deste evento. Faltando uns quinze minutos para o início do pré-congresso do Intercom (na manhã de terça-feira, dia 29), tema: BRASIL-ARGENTINA – I Colóquio Binacional de Ciências da Comunicação, os caros organizadores que estavam sentados na primeira fileira perceberam que havia algo de errado com a bandeira dos nossos saudosos hermanos argentinos.

O problema? Ela não era a Bandeira da Argentina. Trocaram-na pela do Uruguai!!! Ai,ai,ai.

Discretamente, retiraram-na logo dali. “Esconde, esconde. Coloca embaixo da mesa”, disse um dos organizadores.Em tempo, conseguiram providenciar outra bandeira. Esta, agora sim, da Argentina. Desfizeram o engano, sem que os participantes percebessem o pequeno deslize (ou melhor, quase todos não perceberam).

Tudo a postos, eis que, durante o colóquio, uma mulher se levanta e diz: “Pero no me llamaram para participar”. Sí, si, amigos, mais uma vez boicotaram nuestros hermanos. Esqueceram de chamar uma integrante para compor a mesa. E, por azar, ou, sorte, ela era argentina.

Atrás dos palestrantes, estavam as bandeiras do estado de São Paulo, Brasil, Argentina e Unimonte. De repente, uma dessas começa a escorregar, escorregar. Acho que eu nem preciso falar qual das quatro foi a que caiu…

Sí, si, chicos!

Estava já concluindo que esta seria mais uma prova da rixa Brasil e Argentina se não fosse a camiseta do congresso estampar nas costas “brasil”. Isso mesmo, o nome do nosso país com letra minúscula. Lembro claramente da minha primeira professora do primário dizendo: nome de país, estado ou cidade deve ter a inicial grafada com letra maiúscula. Por mais que a intenção fosse a estética visual, conceito publicitário, ou sei lá o que, a idéia não colou. O que sobressaiu e de fato fica gritante aos olhos é o brasil com letra minúscula.

Com isso fico na incógnita se foi mais uma mostra da tão famosa rivalidade entre Brasil (com B maiúsculo) e Argentina, ou, uma leve distração dos organizadores.

Ainda bem que são todos comunicólogos… aff!!!