Diversidade Cultural: A globalização e as culturais locais

Por Aline Monteiro

         Quando uma estudante disse que bumba-meu-boi e boi-bumbá não eram a mesma coisa, o tema da oficina sobre globalização, que aconteceu na manhã de quinta-feira (dia 30) na Unisanta, se tornou a preservação das culturas locais. Por mais que o coordenador, Luiz Felipe Ferreira Stevanim (UFJF), mostrasse preocupação em trazer a atenção de todos aos movimentos contrários à globalização, os participantes, vindos do Sul, Centro-Oeste e Norte do País, passaram a debater o papel do jornalista e da mídia no tratamento dado às culturas locais com o processo de globalização.

Muitas dúvidas neste aspecto foram lançadas, já que nem mesmo os estudantes, que defendiam com unhas e dentes suas culturas regionais, sabiam ao certo se o correto seria tentar preservar as raízes culturais, ou deixá-las se misturar ao cenário global e tecnológico atual.

Para Stevanim, evitar que a cultura global se misture às locais não evita que elas façam parte da globalização, já que as características regionais do lugar passam a ser vistas do ponto de vista turístico e, se tornam um produto global. Ele acredita que as influências na cultura são importantes para sua modificação natural. “Não vejo a tecnologia como uma contrariedade, ela ajuda na transformação dos hábitos”.

Marcos Lara (PUC-SP), que participou da oficina, acredita que impedir uma cultura de interagir com as demais e se modificar vai contra a globalização. “Essa idéia de exclusão, mesmo que para preservar, não cabe no processo de globalização, onde a comunicação está presente em tudo”.     Depois de falar sobre a normalidade de ver os índios do Mato Grosso do Sul andando em carros importados e de uma suposta decisão da produção do Faustão de impedir que Gaúcho da Fronteira, representante tradicional da música dos pampas, se apresentasse em seu programa usando bombacha, a oficina transcorreu sem chegar a grandes soluções sobre o assunto. As mesmas incertezas que rondam o processo de globalização fizeram com que a oficina terminasse apenas alertando os jornalistas a agir com bom senso e ética ao tratar das culturas locais em suas reportagens.

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2 Respostas to “Diversidade Cultural: A globalização e as culturais locais”

  1. carlos gustavo yoda Says:

    oi, aline.. bem massa o tema que você escolheu. essa discussão das culturas locais faz parte do grande debate que estamos travando agora sobre a proteção e a preservação da diversidade das experssões artísticas. é a tal diversidade cultural. existe um debate internacional amplo, que o brasil é co-autor (vale estudar a convenção da unesco – ) e existem políticas públicas no brasil que estão em processo de formulação (vale entender o processo do cultura viva – ). o debate acadêmico parece ainda principiante, porque a discussão não está popularizada. a academia de comunicação tem a visão da cultura como se fosse aquela fase da ecologia do discurso de “salve as baleias”. as questões culturais, assim como as ambientais, são mais complexas do que isso e são essenciais às nossas vidas muito mais do que podemos imaginar. por isso, é necessário a popularização do debate, e nosso trabalho é fundamental de refletir sobre o momento que estamos vivendo agora.. vale seguir essa pauta para a grande reportagem, talvez entrando no debate sobre o cultura viva, a teia 2007 e utilizando de fontes os pontos de cultura da baixada santista.. abreijos, yoda..

  2. Guilherme Varella Says:

    Aline, a conclusão de que a oficina terminou com o alerta para os jornalistas agirem “com bom senso e ética ao tratar das culturas locais em suas reportagens” se assemelha com o discurso “automático” que se faz sobre a diversidade cultural. Ambos tocam no mesmo ponto: a retórica. O discurso da diversidade cultural, quando apartado da sua dimensão complexa, é tão eficiente quanto essa tal “boa-vontade” dos jornalistas da cultura. E aqui acredito que entra o alerta do seu texto e do Professor Stevanim e da oficina. Contrapor aos infindáveis clichês que aparecem sem critérios na boca da mídia (“cultura local” “produto global” “globalização” “raízes culturais”) um discurso competente e radical – aqui sim, no sentido de adentrar as raízes – com conexão à realidade. O debate preservação x mudança x transformação, então, se faz bem pertinente (acerto seu!), por ser concreto. As idéias do professor da PUC-MG José Márcio Barros, coordenador do Observatório da Diversidade Cultural, ajudam nessa hora. Segundo ele, nesse debate contemporâneo da cultura regional, não necessariamente as mudanças geram transformações. As culturas mudam – as tradicionais com mais dificuldade – e isso é fato. No entanto, no contexto da tal abertura para a globalização, quando tais mudanças se guiam pela cultura do efêmero, e a experiência identitária, pelas relações de consumo, as mudanças são conservadoras, “motivadas por circunstâncias e não por conceitos”. É onde mora o perigo da globalização? Não apenas. De parede-meia, mora o perigo do discurso vazio da diversidade. E o seu “carro do índio” nos ajuda a alertar.

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